ECKHART TOLLE E SUA PARCEIRA KIM ENG: UMA PROFUNDA NÃO RELAÇÃO”

Acabei de encontrar este texto absolutamente maravilhoso. E não poderia deixar de o partilhar com quem lê este meu blog!

***

ECKHART TOLLE E SUA PARCEIRA KIM ENG: UMA PROFUNDA NÃO RELAÇÃO”
Eckhart Tolle fala sobre o amor, dependência nos relacionamentos e sobre como lidar e vencer o mundo das formas e a dualidade:
Kim Eng – “Durante minhas viagens, uma das perguntas que mais frequentemente me fazem é: “Como é a sensação de ter um relacionamento com um ser iluminado?
“Por que esta pergunta? Talvez eles tenham a idéia ou imagem de um relacionamento ideal, e querem saber mais sobre ele. Talvez suas mentes querem projetar-se a um futuro onde eles também vão estar em uma relação ideal, e que encontrariam a si mesmos através dela.”
Sempre que tenho a ideia na minha cabeça “ter um relacionamento” ou “Eu estou em um relacionamento”, não importa com quem, eu sofro. Isso eu aprendi.
Com o conceito de “relacionamento” vêm expectativas, lembranças de relacionamentos passados, e outros conceitos mentais pessoais e culturais condicionados, de como uma “relação” deve ser.
Em seguida, tenta-se fazer com que a realidade se ajuste nesses conceitos. E nunca dá. E mais uma vez eu sofro. O ponto da questão é: não há nenhuma relação. Só existe apenas o momento presente, e nesse momento há apenas um “relacionar-se”.
Como nos relacionamos, ou melhor, a maneira como amamos, depende de quão vazio estamos de idéias, conceitos, expectativas.
Recentemente, Eckhart me pediu para dizer algumas palavras sobre “casos de amor” do ego. Nossa conversa foi aprofundando rapidamente para se referir a alguns dos aspectos mais profundos da existência humana. Isto é o que ele disse:
Eckhart Tolle: O que convencionalmente chamamos de “amor” é uma estratégia de ego para evitar render-se. Você está procurando alguém para lhe dar isso que só pode ser dado no estado de rendição.
O ego usa essa pessoa como um substituto para não ter que se render-se. A língua espanhola é a mais honesto a esse respeito. Ela usa o mesmo verbo “te quiero” (te quero) para dizer “eu te amo” e “eu te quero”.
Para o ego, o amor e querer (desejo) são os mesmos, ao passo que o verdadeiro amor não tem nenhum desejo, nenhum desejo de possuir ou de mudar o parceiro.
O ego escolhe alguém e o torna especial. Use essa pessoa para cobrir a constante sensação subjacente de descontentamento, de “não ser suficiente”, de raiva e ódio, que estão intimamente relacionados.
Estas são facetas de um sentimento profundamente arraigado nos seres humanos, que é inseparável do estado egóico.
Quando o ego escolhe algo e diz “eu amo” isso ou aquilo, é uma intenção inconsciente de ocultar ou remover os profundos sentimentos que sempre acompanham o ego: o descontentamento, a infelicidade, a sensação de fracasso que é tão familiar.
Por um tempo, a ilusão realmente funciona. Mas então, inevitavelmente, em algum momento, a pessoa que você escolheu, ou que fez especial em seus olhos, deixa de funcionar como uma cobertura para a sua dor, o ódio, descontentamento ou insatisfação que se originam no sentimento de fracasso e de sentir-se incompleto.
Então, surge a sensação que estava escondida, e se projeta sobre a pessoa que havia sido eleita e feita especial – que você pensou que acabaria por te “salvar”. De repente amor se transforma em ódio.
O ego não percebe que o ódio é uma projeção da dor universal que você sente por dentro. O ego acredita que essa pessoa é a causa da dor. Ele não percebe que a dor é o sentimento universal de não estar ligado a um nível mais profundo com seu SER – e não ser um com você mesmo.
O objeto do amor é mutável, tão mutável quanto qualquer o objeto de desejo egóico. Algumas pessoas passam por muitos relacionamentos. Eles se apaixonam e,desapaixonam muitas vezes. Amam uma pessoa por um tempo até que não funcione mais, porque nenhuma pessoa pode esconder permanentemente essa dor.
Só rendição pode lhe dar o que você estava buscando no objeto de seu amor. O ego diz que a rendição não é necessária por amar essa pessoa. É um processo inconsciente, claro.
No momento em que aceita plenamente o que é, algo dentro de você emerge, algo que tinha sido escondido pelo desejo do ego. É uma paz inata que habita dentro, quietude e vitalidade.
É o amor incondicional, que é a sua essência. É o que você estava buscando no objeto do seu amor. É você mesmo. Quando isso acontece, um tipo completamente diferente de amor está presente, o que não está sujeito ao amor / ódio.
Não escolha uma pessoa ou uma coisa como algo tão especial. É absurdo até mesmo usar a mesma palavra para isso. No entanto, pode acontecer que, mesmo em um relacionamento normal de amor / ódio, de tempos em tempos, você pode entrar no estado de rendição.
De vez em quando, brevemente, isso acontece: você experimenta um profundo amor universal e plena aceitação que às vezes pode brilhar, mesmo em um relacionamento egóico.
No entanto, se a rendição não continuar, se cubre novamente com os velhos padrões egóicos
Portanto, eu não estou dizendo que o verdadeiro amor profundo não pode ser sentido ao longo do tempo, mesmo em um amor / ódio normal. Mas é raro e geralmente de curta duração.
Sempre que você aceitar o que é, algo mais profundo emerge naquele momento.
Você pode ser pego no dilema mais doloroso, externo ou interno,nos sentimentos e situações mais dolorosos, e no momento em que aceitar o que é, você vai mais além, você transcende.
Mesmo que se sintir ódio, o momento em que você aceitar que é assim que você se sente, você transcende esse sentimento. Ele ainda pode estar lá, mas de repente está em um lugar mais profundo em que nada disso importa mais.
O universo fenomenico inteiro existe por causa da tensão entre os opostos: Quente e frio, crescimento e decadência, ganho e perda, sucesso e fracasso, as polaridades que são parte da vida, e, claro, parte de todos os relacionamentos.
Kim Eng: Por isso, é correto dizer que nunca podemos nos livrar de polaridades?
Eckhart Tolle: não é possível se livrar das polaridades no plano da matéria.
No entanto, você pode transcender as polaridades através da entrega.
Então você está em contato com um lugar mais profundo dentro de você, onde, por assim dizer, as polaridades não existem mais.
Permanecem existindo no plano externo. No entanto, mesmo lá, algo muda na maneira em que as polaridades se manifestam em sua vida quando você está em um estado de aceitação ou renúncia. As polaridades se manifestam de uma forma mais benigna e suave.
Quanto mais inconsciente você for, mais você está identificado com a forma. A essência da inconsciência é esta: identificação com a forma, seja uma forma externa (uma situação, lugar, evento ou experiência), uma forma de pensamento ou uma emoção.
Quanto mais você está apegado à forma, menos entregue está, e mais extrema, violenta ou cruel é a sua experiência com as polaridades. Há pessoas neste planeta que vivem praticamente no inferno e no mesmo planeta há outros que vivem uma vida relativamente pacífica.
Aqueles que estão em paz ainda experimentam as polaridades, mas de uma forma muito mais suave do que a forma extrema em que muitos seres humanos as experimentam ainda.
Portanto, a maneira como se experimenta as polaridades mudam. As próprias polaridades não podem ser apagadas, mas você pode dizer que o universo inteiro se torna um pouco mais benevolente. Não é tão ameaçador. O mundo não é mais percebido como hostil, que é como o ego percebe.
Kim Eng: se despertar ou viver uma vida em um estado desperto não altera a ordem natural das coisas, a dualidade, a tensão entre os opostos, então o que significa viver uma vida no estado desperto? Isso afeta o mundo, ou apenas a experiência subjetiva do mundo?
Eckhart Tolle: Quando você vive em sinal de rendição, algo vem através de você para o mundo da dualidade que não é deste mundo.
Kim Eng: Isso realmente muda o mundo exterior?
Eckhart Tolle: O interno e externo são, em última análise Um só. Quando você já não perceber o mundo como hostil, não há mais medo, e quando não há mais medo, você pensa, fala e age de forma diferente.
Amor e compaixão surgem e afetam o mundo. Mesmo se você estiver em uma situação de conflito, há uma emanação de paz nas polaridades. Então, alguma coisa mudou. Há alguns professores ou ensinamentos que dizem que nada muda. Esse não é o caso. É algo muito importante que é mudado. Aquilo que está além da forma, brilha através da forma, o eterno brilha através da forma, neste mundo que é da forma.
Kim Eng: É correto dizer que a sua falta de “reação contra” a aceitação dos opostos do mundo, que provoca mudanças na maneira que os opostos se manifestam?
Eckhart Tolle: Sim O oposto continuará a ocorrer, mas não irá se nutrir de você mais. O que você disse é um ponto muito importante: a “falta de reação” significa que as polaridades não se alimentam. Isto significa que muitas vezes experimentam um colapso das polaridades, como por exemplo em situações de conflito. Nenhuma pessoa, nenhuma situação torna-se num “inimigo”.
Kim Eng: Então os opostos, em vez de se fortalecerem, se enfraquecem. E talvez é assim que eles começam a se dissolver.
Eckhart Tolle: Isso está correto. Viver assim,é o começo do final do mundo como conhecemos e o início de um novo mundo de paz.

(Heitor Costa da Cruz)

Fonte: http://libertesuamente13.blogspot.pt/2015/03/eckhart-tolle-e-sua-parceira-kim-eng.html

Esta entrada foi publicada em Eckhart Tolle, ECKHART TOLLE E SUA PARCEIRA KIM ENG: UMA PROFUNDA NÃO RELAÇÃO, Kim Eng, Relação com as etiquetas , , , . ligação permanente.

2 respostas a ECKHART TOLLE E SUA PARCEIRA KIM ENG: UMA PROFUNDA NÃO RELAÇÃO”

  1. margarida diz:

    belo texto amigo. beijinho e ótimo fim de semana

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s