O APEGO É REALMENTE AMOR?

Mais um texto absolutamente fantástico e absolutamente obrigatório de ser lido, de  Deepak Chopra!

***

O caminho para o amor não termina com a entrega, muito embora, de certo modo, não haja mais nada a fazer.
O processo da renúncia é tudo que o espírito precisa para entrar em sua vida; o resto é o amadurecimento da união entre o eu inferior e o Eu Superior.

Contudo, ainda existe a grande questão de como duas pessoas podem se entregar uma à outra completamente. Por mais que você comece a sentir amor dentro de si, ainda é necessário refleti-lo para seu amado. Duas pessoas espirituais vivendo juntas não constroem automaticamente um relacionamento espiritual. Portanto, queremos perguntar em termos práticos como o amor aumenta entre duas almas.

O ego não é facilmente derrotado em sua preocupação com tudo, exceto o amor.

A entrega não é alcançada até que você se entregue completamente a seu ente querido. Para realizar isso precisa abdicar de tudo que o prive do amor, e nutrir tudo que venha do amor.

Uma maneira como as pessoas se privam do amor é especialmente confusa, porque parece uma maneira de aumentá-lo: é o apego. Em sua forma mais leve, é o desejo de estar com alguém especial. Um bebê apegado à mãe não vai aceitar outras mulheres como substitutas; uma garota de 12 anos seleciona a melhor amiga entre as garotas que conhece. Até mesmo nessas formas pré-adultas de apego existem dois lados – ele tanto inclui quanto exclui.

Os relacionamentos adultos levam o apego a um nível mais profundo, mas a exclusividade permanece. O voto de matrimônio de “esquecer todos os outros” implica, não só a fidelidade, mas uma vida compartilhada por duas pessoas apenas.

Não é amor quando você compartilha seu mundo com outra pessoa? Será que os relacionamentos íntimos deveriam ser exclusivos desta maneira? A resposta é surpreendente, mas se você procurar mais fundo, vai ver que o amor e o apego não são a mesma coisa.

* o amor permite que seu ente querido tenha a liberdade de ser diferente de você. O apego pede a conformidade a seus desejos e necessidades.
* o amor não impõe exigências. O apego expressa uma exigência avassaladora – “faça com que eu me sinta completo”.
* o amor se expande além do limite de duas pessoas. O apego tenta excluir tudo, menos as duas pessoas.

A maioria de nós não faria essas distinções automaticamente, porque o apego é algo de que precisamos. Mas um relacionamento baseado na necessidade é, na verdade, apenas o ego expandido. Ser capaz de fundir seu ego com o de outra pessoa traz um senso de segurança; isso justifica ser egoísta, porque o egoísmo é compartilhado. “Nós” temos nossas maneiras de fazer as coisas, nossas preferências e antipatias, nosso senso de separação dos outros. No caso mais extremo, existe um tipo de loucura mútua – folie à deux – onde as duas pessoas tentam possuir uma à outra de corpo e alma. Um caso de amor louco é o extremo mais comum a que a maioria das pessoas chega. Nos relacionamentos ordinários, o apego parece normal.

A sedução do apego é que ele fornece um senso de segurança através do isolamento do mundo externo. Os apelidos carinhosos que mais ninguém escuta, a linguagem particular e os rituais, as atitudes tão entranhadas que nunca são citadas: essas coisas fazem com que as pessoas se sintam seguras, porque fazem de “nós dois” um mundo fechado e circunscrito.

Todavia, o apego possui um significado espiritual mais profundo. Representa uma tentativa de alcançar a unidade fundindo-se com outra alma. Muito embora isso possa não ser totalmente consciente, em algum nível você percebe que esteve vivendo separado de Deus, uma condição que é cheia de ansiedade e insegurança. Há uma parte de você que se considera fragmentada do todo.

Conheço um homem que foi feliz no casamento durante 16 anos. Certa manhã, ele notou um caminhão de mudanças diante da porta da frente. Perguntou à esposa o que o caminhão estava fazendo ali, e ela respondeu “estou indo embora, e meu advogado disse que posso ficar com a metade de tudo. Decida agora com que você quer ficar”.

Essa despedida brutal foi um choque para meu amigo (em retrospectiva, ele admitiu que a comunicação com a esposa fora nula durante os últimos anos, de modo que se ela tinha queixas, houve poucas oportunidades para falar sobre elas). Ele não teve escolha senão submeter-se à partida da esposa, e num instante seu apego a ela transformou-se em dor, despertando o ciúme sexual (ele suspeitava havia outro homem na jogada – erradamente, como descobriu depois), traição, suspeita e desconfiança.

Essa dor cresce a partir do estado de separação; ela não é criada pelo que a outra pessoa faz conosco. Num estado de união, o Eu Superior forneceria amor incondicional, o que significa que nenhuma traição ou abandono poderia nos ferir. Quando você está numa união, ninguém pode realmente deixá-lo.

Mas o estado “normal” da vida, como normal é definido em nossa cultura, é não estar numa unidade. Mesmo assim, é natural que você busque estar completo novamente, curando a separação se fundindo com outra pessoa – esse impulso subjacente torna o relacionamento extremamente poderoso.

Se o apego funcionasse, as pessoas se tornariam completas simplesmente se casando; mas não é isso que acontece. O casamento pode fazer com que você se sinta inteiro. Pode trazer mais segurança em certos níveis. (Isso é particularmente verdadeiro para os homens, que costumam achar que são o sexo forte. Todavia, estudos sociológicos mostraram que os viúvos ficam muito piores sozinhos do que as viúvas, que mulheres solteiras na faculdade têm uma probabilidade muito maior de concluir o curso que homens solteiros e, que em geral, as mulheres lidam melhor com a solidão do que os homens). No entanto, as possibilidades de união não aumentam. Pelo contrário, é muito comum que as duas pessoas achem que o casamento lhes trouxe um fardo duplo de preocupações ao invés de duplicar a chance de encontrar a liberdade.

A questão, portanto, é como preservar a devoção e a fidelidade do casamento sem entregar-se à necessidade e ao apego. O que é necessário é um estado chamado de não-apego. A palavra parece um sinônimo de desapego, denotando indiferença, mas o não-apego é na verdade um estado de liberdade que preserva e até mesmo aumenta seu amor pelo outro. O desapego é alcançado quando deixamos de nos importar; o não-apego é alcançado pela permissão, que mostra um tremendo carinho. Portanto, as compreensões que se aplicam ao não-apego nos levam até o âmago da importância espiritual da renúncia.

O apego é uma forma de dependência baseada no ego; o amor é não-apego baseado no espírito.

Quanto mais não-apego se é, mais se pode amar de verdade.

A ação que não prende vem diretamente do amor; todas as outras ações vêm indiretamente do passado.

Lutar com o Karma não vai libertar você de sua influência limitadora. A liberdade só pode ser alcançada pela recordação de quem se é realmente.

Aquele que você é realmente é o espírito ilimitado, além do alcance do Karma.

Texto do livro: Conexão Saúde
Autor: Deepak Chopra

Fonte: http://www.velhosamigos.com.br/Autores/Deepak/deepak8.html

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