O Apego

Vou deixar aqui no meu blog um belo texto, sobre o Apego!

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Às vezes me questiono o motivo pelo qual possuímos tanto apego. Apego á família, ao trabalho, a pessoa amada, aos filhos, a boneca de infância, ao carrinho que ganhamos do tio do nosso primo que era um cara super legal e que não conseguimos deixar de carregá-lo para o resto de nossas vidas, apego aos nossos sentimentos, nossos vícios, desejos, manias… Uma infinidade de coisas que mais parece que somos constituídos de apego do que de qualquer outra sentimento.

O apego a algo é um ato ilusório, não existencial. Todos nós somos apegados a alguma determinada coisa, no entanto sabemos o quanto sofremos quando temos que nos afastar daquilo que estamos agarrados. O apego limita nossos verdadeiros anseios. Quando estamos apegados somos mesquinhos, egoístas, incapazes de perdoar um erro. Somos apegados ao nosso ego. Se algo não está de acordo com o apego ao ego, imediatamente somos compelidos a banir esse algo, transformando-o em objeto de repulsa.

A natureza é desapegada. Por exemplo, quando um pássaro bota um ovo, a mãe está presente até o momento em que seu filhote nasce, cresce e fica forte. Depois, o pequeno pássaro vai buscar o seu próprio caminho. A mãe não se apega ao filhote que agora já é um adulto.

Existem diversas formas de apego as quais podemos renunciar.

O apego material é sem dúvida o mais gritante as nossas vistas. Estamos sempre julgando alguém por ser apegado ao carro, ao celular. Mas e o apego aos sentimentos? Esse pode escravizar pessoas, tanto o apegado quanto a sua vítima. Imaginem um relacionamento entre pais e filhos onde todos os atos dos filhos são controlados pelos pais. A exemplo do pássaro que quando já está adulto pode voar livremente, o ser humano não tem esse privilégio. Quanto mais controladores são os pais, mas apego eles terão aos filhos e isso pode passar a refletir em algo mais doentio que é a chamada chantagem emocional onde estão incluído as cobranças por atitudes e a falta de liberdade para sermos nós mesmos. Isso acontece nos relacionamentos afetivos também. Poderíamos citar inúmeros exemplos.

Desapegar-se é um ato de nobreza humana. Deixar a natureza fluir por dentro é uma forma de saber lidar com esses entraves emocionais. Liberte-se de pré-conceitos, dos “achismos”, dos hábitos pouco saudáveis, dos modelos morais impostos pela sociedade. Seja vivo.

Caminhe pela natureza, coma menos gordura, tome um banho de mar ou de cachoeira, saia na chuva, mostre ao seu filho que você e ele são parceiros e não propriedade um do outro. Relaxe.

Faça algo diferente todos os dias nem que seja mudar o caminho para ir para o trabalho. Não caia no automatismo de achar que a rotina faz bem, que ela disciplina e cria métodos melhores para a sobrevivência. Ok, dentro de uma empresa sim, mas não dentro de você.

Eu tenho inúmeros apegos. Incontáveis eu diria. Mas acredito que a cada dia que passa, ter a convicção de que guardar uma velha camiseta no fundo de armário porque foi presente de alguém muito especial, não me leva a sentir a mesma afeição que ao pensar carinhosamente nessa pessoa.

A nossa mente é o nosso maior armário, nosso maior porta-retratos, nossa maior estante. Portanto limpe-a, tire a poeira que atrapalha a sua visão e te enche o nariz de alergia. Jogue fora aquilo que não serve mais. Recicle seus sentimentos e pensamentos.

E abra o olho ao fundamentalismo de idéias. Perdoe-se, deixe ser perdoado e saiba perdoar.

Desapegue-se!

Fárida L Pires

 

Fonte: http://faridapires.blogspot.pt/2010/01/o-apego.html

 

Fárida L Pires

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