Dar, doar-se e amar

Amor - Casal 10º

Recomendo vivamente a leitura muito atenta deste artigo!

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Dar, doar-se e amar

Dar é a mais alta expressão do sustento. Dando, ponho à prova minha força, minha riqueza, meu poder. Essa experiência de elevada vitalidade e potência me enche de alegria.

Dar é muito mais gratificante do que receber, pois é dando que encontramos a verdadeira expressão da nossa espiritualidade.

A função sexual se encontra no ato de dar. Entregar-se, em um ato sexual, é se doar de corpo e alma. O homem se entrega ao dar o seu sêmen. Na mulher, o processo não é diferente, embora seja algo mais complexo. Ela também se doa, abrindo as portas do seu centro feminino. A mulher, enquanto mãe, se doa por completo, dando ao seu filho tudo o que ela traz de bom dentro de si. Dá o seu leite, o seu calor, e acima de tudo, o seu amor incondicional.

Não é todo mundo que lida de maneira fácil com o ato de dar. Uma pessoa que é extremamente materialista, apegada aos seu objetos, carrega consigo o medo da perda. Ela se transforma em um ser humano pobre, um desafortunado, não importa o quanto possua. Falo também do apego aos sentimentos, aos amigos, aos amores. Quem é capaz de dar e doar-se, é extremamente rico.
É de conhecimento de todos que os pobres são mais solidários que os os ricos. Eles, no seu mundo de privações, ajudam-se, e como uma recompensa divina, tudo dá certo.

O aspecto mais importante no ato de dar, entretanto, não é o lado material, mas o humano. Podemos chegar a dar a nossa vida pelo outro. Isto não quer, necessariamente, dizer que sacrificamos a nossa vida por outrem, mas que temos a capacidade de doar tudo o que carregamos de bom e vivo dentro de nós. Doamos a nossa alegria, o nosso interesse, a nossa compreensão, o nosso conhecimento, o nosso amor. E com esse ato de doação, levaremos em nosso coração uma deliciosa sensação de felicidade.

Doando, assim, a nossa vida, estaremos enriquecendo o outro, enaltecendo os nossos sentimentos mais nobres, pois não esperamos receber nada em troca. O ato de dar nos proporciona uma requintada alegria de viver.

O amor é uma força que produz amor, e a impotência é, justamente, a incapacidade dessa produção. Nós, mesmo sem esperar nada em troca, só pelo simples fato de amar, estaremos, inconscientemente, incentivando a produção de uma força de amor que retornará a nós. Isso também acontece com a confiança, com o respeito e com tudo o que damos ao outro. Trata-se daquela velha e conhecida lei do retorno.

Todas as relações do ser humano com a natureza devem ser uma expressão definida de sua vida real, individual, correspondente ao objeto de sua vontade. Se alguém ama sem atrair amor, isto é, se seu amor não produz amor, se através de sua expressão, você não consegue acenar ao amor é porque você, como pessoa amante, não faz da sua própria pessoa sua amada. Quando você se amar de verdade, vai poder experimentar a verdadeira alegria no ato de dar.
Mas não é só na abordagem do amor que dar significa receber. O professor é ensinado pelos seus alunos, o ator é estimulado por sua platéia, o psicanalista é curado por seu cliente.

Com isso, quase não é necessário acentuar o fato de que a capacidade de “dar” depende do desenvolvimento do caráter de cada um. Nesse prisma, a pessoa superou a dependência, o desejo de explorar os outros, poupou suas energias e adquiriu fé em seus próprios poderes interiores. Teve a coragem de confiar em suas forças para atingir seus objetivos. No mesmo grau, se lhe faltarem essas qualidades, terá medo de se doar e, assim, não conseguirá se amar.

O caráter ativo do amor torna-se evidente no fato de implicar sempre em certos elementos básicos, comuns a todas as formas de amor: responsabilidade, respeito e conhecimento. Isso também se aplica ao amor que sentimos por plantas ou animais. Quando alguém diz que ama as flores e todos vemos que ela se esquece de regá-las, não acreditamos nesse amor. Quem ama possui uma preocupação ativa pela vida e pelo crescimento daquilo que amamos. Onde falta essa preocupação, certamente, não há amor.

A essência do amor é “trabalhar” por alguma coisa e “fazer alguma coisa crescer”, pois amor e trabalho são inseparáveis. Ama-se aquilo por que se trabalha e trabalha-se por aquilo que se ama.

Cuidado e preocupação lembram outro aspecto do amor: o da responsabilidade. Responsabilidade não é um dever. Em seu verdadeiro sentido, é um ato voluntário. É a resposta que damos às necessidades, expressas ou não, de um para o outro. Ser responsável significa ter de “responder”, estar pronto a doar-se.

O amor entre duas pessoas refere-se, principalmente, às necessidades alinhadas entre si. A responsabilidade poderia facilmente corromper-se em dominação e posse se não houvesse um terceiro elemento do amor: o respeito. Respeito não é medo. É termos a capacidade de ver uma pessoa tal como é, ter conhecimento de sua individualidade. Respeito é ter a preocupação com o crescimento e com o desenvolvimento do outro. É a ausência de apego. Se amo a outra pessoa, sinto-me um com ela, mas tal como ela é, e não como eu necessito que seja para o meu prazer.

O amor é filho da liberdade, nunca da dominação. Deus criou o livre-arbítrio e nós criamos as fatalidades.

BNN

Fonte: Somos Todos UM

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