O amor na prática

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“Como podes amar, se não estás lá?… Amar significa estar lá”. Thich Nhat Hanh, monge budista vietnamita, tem uma perspectiva muito própria e bela para encarar o amor, os vários tipos de amor e o que constitui o amor. Mais ainda, este grande mestre, fala-nos sobre como o aplicar no dia-a-dia.

“O primeiro elemento do Amor Verdadeiro é a Bondade Amorosa ou a Benevolência, Maitri (em Sânscrito). Tem o poder de oferecer felicidade. Se o amor não puder oferecer felicidade, então não é amor verdadeiro. O amor verdadeiro oferece felicidade a si mesmo, a ele, a ela, a todos os outros. Não é a vontade de oferecer felicidade, porque se uma pessoa não entende a outra, quanto mais tenta fazê-la feliz, mais a faz sofrer. Então é preciso entender o sofrimento e a necessidade dele ou dela antes que você possa praticar o amor bondoso. (…) Precisamos entender a outra pessoa para fazê-la realmente feliz. E é por isso que compreensão é a outra palavra para Amor, para a Compaixão. (…) E compreensão precisa de tempo, para poder observar, para observar profundamente.”

Compreender o outro requer compreensão de nós mesmos. O “observar profundamente” aplica-se a nós mesmos, desenvolvendo uma relação espiritual com o todo que somos, com tudo o que nos rodeia. Que necessidades tenho eu, que vou procurar no outro? E que necessidades tem o outro que vem procurar em mim? Quem consegue ter este tipo de diálogo tão aberto numa relação, seja ela qual for?

A prática da atenção plena é importante em todo este processo. Se queremos colocar o amor na prática temos que o fazer em observação, predisposição, estando conscientes do momento presente e de quem está presente.

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Homem e mulher na igualdade do amor na prática

O Mestre receita a prática de um mantra “querida, estou aqui para ti” mas, coloco também a outra perspectiva “querido, estou aqui para ti“. Não podemos esquecer que a presente sociedade tem tantos homens quanto mulheres ocupadas. Não devemos cair naquele julgamento comum que “todos os homens são isto…” e “todas as mulheres são aquilo…”. Hoje, nada disso é verdadeiro, tudo mudou e bastante. Ainda existem preconceitos e diferenciações, é verdade mas, também muito já mudou e se não observarmos essa mudança com atenção plena, não poderemos realmente perceber o que nos está a fazer sofrer ou o que nos faz verdadeiramente amar.

O amor na prática requer igualdade. É um princípio base. O preconceito, e as emoções do que já vivemos, são as paredes que nos separam dele.

Thich Nhat Hanh fala ainda de um segundo mantra “Querida, eu sei que estás aí e eu estou tão feliz“. Mais uma belíssima verdade que vem quando tomamos a consciência do momento presente. Não estamos a pensar em trabalho, em tarefas, estamos apenas a apreciar a pessoa que está ali naquele momento connosco – isso é um momento maravilhoso, é o que se chama a magia do momento. Ver esse momento presente é entender que não há barreiras nem desigualdades. Tão importante é ele estar com ela, como ela estar com ele. Só quando os dois estão é que o momento acontece. Isso é amor.

Não precisamos aplicar esta ideia apenas no amor conjugal. Devemos também aplicar em qualquer relacionamento e mesmo em tudo o que fazemos – o momento mágico no trabalho, na escola, na amizade.

 O sofrimento e o amor

Nas suas sábias palavras, vindas de alguém que conheceu o sofrimento da guerra no Vietnam, Thich Nhat Hanh explica que “Quando alguém te faz sofrer é porque está a sofrer profundamente em si mesmo e o seu sofrimento está a transbordar. Ele não precisa de punição, ele precisa de ajuda. Essa é a mensagem que ele está a enviar.”

Muitas vezes o sofrimento vem da incapacidade de comunicar ou traduzir correctamente o que é comunicado. Nos nossos processos internos, nem sempre mente e coração encontram a harmonia e a descodificação necessária àquilo que nos está a ser transmitido. Não é fácil encontrar esta harmonia, requer educação, disponibilidade e tempo. São situações para as quais não fomos ensinados a encontrar predisposição, além de que muitas vezes, os princípios são deturpados por hábitos sociais que já nem se encaixam na realidade presente.

Desbravar o caminho que vai do sofrimento ao amor é reconhecer em nós o direito a sermos felizes, o direito a fazermos os outros felizes. Poderá parecer estranho falar em algo como “o direito a fazermos os outros felizes” porque o outro é alguém independente e com livre arbítrio mas o que esta frase quer dizer é que temos de retirar de nós as crenças limitadores que nos impedem de fazer os outros felizes. Por vezes observo as pessoas que estão sempre com uma cara carrancuda ou até com uma cara de falsa felicidade. Em cada um destes antípodas, encontramos uma falta de predisposição para a felicidade do outro. Isto porque se estiver sempre de cara carrancuda, criarei barreiras aos outros; se estiver com falsa felicidade, estarei a dar aos outros o que não tenho e irei descompensar, exigindo.

Para ultrapassarmos o sofrimento, temos que encontrar um caminho na vida, um caminho que é interior e que requer uma atenção plena. Isto nada tem a ver com obrigatoriedades, dogmas, ascetismos. Tem sim, com o aceitar que devemos conseguir estar no aqui e agora, predispostos com toda a nossa energia, no momento presente, naquilo que estamos a fazer. Quando estamos conscientes do nosso interior bondoso, amoroso, compassivo, então, no momento presente, estamos sem dor, sem sofrimento.

Fica ainda um video enternecedor e esclarecedor sobre o tema, que vale a pena ver com plena atenção.

Muito obrigado ao Dharmablog na inspiração deste artigo.

“Ser amado é ser reconhecido como existente” ~ Thich Nhat Hanh

Não te deixes prender unicamente por aquilo que necessitas, compreende também aquilo que o outro necessita. Cria amor.

Fonte: joaomagalhaes.com

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O vídeo que coloquei neste artigo, não é o da versão que está  postado no artigo. O que está postado no site, é em castelhano. E resolvi por na sua versão com legendas em português. Mas trata-se do mesmo vídeo. Cliquem em baixo, no lado esquerdo, no envelope branco, para activarem as legendas em português!

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