As quatro qualidade do amor verdadeiro, segundo Thich Nhat Hanh

Para se entender o verdadeiro amor, é absolutamente necessário, entender-se estas verdades. Sem se entender estas verdades, não se pode entender o verdadeiro amor.

Então; entender estas verdades, é entender o verdadeiro amor!

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Introdução
“O que posso fazer para me certificar de que estarei com Brahma depois que eu morrer?” e o Buda respondeu, “Já que Brahma é a fonte do Amor, para habitar com ele você deve praticar o Brahmaviharas-amor, compaixão, alegria e equanimidade.”
Vihara é uma abóboda ou uma habitação. Amor em sânscrito é maitri; em Pali é metta. Compaixão é karuna em ambos os idiomas. Alegria é mudita. Equanimidade é upeksha em sânscrito e upekkha em Pali. Os Brahmaviharas são os quatro elementos do amor verdadeiro. Eles são ditos “imensuráveis” porque se você os pratica, eles crescerão em você a cada dia e abrangerão o mundo inteiro. Você se tornará mais feliz, e todas as pessoas ao seu lado também se tornarão mais felizes.
Se nós aprendermos caminhos para praticar o amor, compaixão, alegria e equanimidade, saberemos como curar as doenças da raiva, mágoa (=”sorrow“), insegurança, tristeza (=”sadness“), ódio, solidão e apegos doentios. Amor, compaixão, alegria e equanimidade são a própria natureza de uma pessoa iluminada. Eles são os quatro aspectos do amor verdadeiro dentro de nosso próprio self, dentro de todas as pessoas e todas as coisas.
Amor (Maitri/Metta)
O primeiro aspecto do amor verdadeiro é maitri, a intenção e capacidade de oferecer alegria e felicidade. Para desenvolver esta capacidade, nós temos que praticar o olhar e a audição profundos para que saibamos o que fazer e o que não fazer para fazer os outros felizes. Se você oferecer à sua amada alguma coisa que ela não precisa, isto não é maitri. Você deve observar a real situação dela, ou então você pode oferecer algo que possa trazer a ela a infelicidade.
Sem compreensão, seu amor não é amor verdadeiro. Você deve olhar profundamente para ver e entender as necessidades, aspirações e sofrimentos daquele que você ama. Nós todos precisamos de amor. Amor nos traz alegria e bem-estar. É tão natural quanto o ar. Nós somos amados pelo ar, nós precisamos de ar para estarmos felizes e bem. Nós somos amados pelas árvores. Nós precisamos de árvores para sermos saudáveis. Para sermos amados, nós temos de amar, o que significa que temos de entender. Para que o nosso amor continue, nós temos que realizar a ação ou não-ação apropriadas para proteger o ar, as árvores e a nossa amada.
Maitri pode ser traduzida como amor ou bondade amorosa. Alguns mestres budistas preferem “bondade amorosa” pois acham a palavra “amor muito perigosa. Mas eu prefiro a palavra “amor”. Palavras às vezes ficam doentes e nós temos que as curar. Nós temos usado a palavra “amor” para significar apetite ou desejo, como em “Eu amo hambúrguer.” Nós temos que usar a linguagem mais cuidadosamente. “Amor” é uma bela palavra; nós temos que restaurar o seu significado. A palavra “maitri” tem raízes na palavra “mitra”, que significa amigo. No budismo, o principal significado de amor é amizade.
Nós todos temos sementes do amor em nos. Nós podemos desenvolver esta maravilhosa fonte de energia, nutrindo o amor incondicional que não espera nada em retorno. Quando entendemos profundamente alguém, mesmo alguém que nos causou dano, nós não podemos resistir a lhe amar. O Buda Shakyamuni declarou que o Buda do próximo eon será nomeado “Maitreya, o Buda do Amor.”
Compaixão (Karuna)
O segundo aspecto do amor é karuna, a intenção e capacidade de aliviar e transformar o sofrimento para aliviar a mágoa. Karuna é usualmente traduzida como “compaixão” mas isto não é exatamente correto. “Compaixão” é composta de com (“junto com”) e paixão (“sofrer”). Mas nós não precisamos sofrer para remover o sofrimento de outra pessoa.
Para desenvolver compaixão em nós mesmos, temos de praticar a respiração auto-consciente, audição e visão profundas. O Sutra Lótus descreve Avalokiteshvara como o bodhisattva que pratica “olhando com os olhos da compaixão e ouvindo profundamente os suspiros do mundo.” Compaixão contém preocupação profunda. Você reconhece que uma pessoa está sofrendo, então você se senta próximo a ela. Você a olha e a ouve atentamente para estar capacitado a tocar a dor dela. Vocês estão em profunda comunicação, comunhão com ela, e isso sozinho traz algum alívio.
Palavras, ações ou pensamentos compassivos podem reduzir o sofrimento de outra pessoa e trazer alegria a ela. Uma palavra pode oferecer conforto e fé, destruir a dúvida, ajudar alguém a evitar um erro, reconciliar um conflito, ou abrir a porta para a liberação. Uma ação pode salvar a vida de uma pessoa ou ajudá-la a tomar vantagem de uma oportunidade rara. Um pensamento pode causar o mesmo, porque pensamentos sempre levam a palavras e ações. Com compaixão em nosso coração, todo pensamento, palavra e ato pode produzir um milagre.
Quando eu era aprendiz, não conseguia entender por que, se o mundo está preenchido de sofrimento, o Buda tem tal sorriso bonito. Por que não está ele perturbado pelo sofrimento? Depois eu descobri que o Buda tem compreensão suficiente, calma e força; é por isso que o sofrimento não o oprime. Ele é capaz de sorrir ao sofrimento porque sabe como lidar como lidar com isso e como transformá-lo. Nós devemos estar atentos ao sofrimento, mas reter nossa clareza, calma e força para que nós possamos transformar a situação. O oceano de lágrimas não pode nos afogar se karuna está conosco. É por isso que o sorriso do Buda é possível.
Alegria (Mudita)
O terceiro elemento do amor verdadeiro é mudita, alegria. Amor verdadeiro sempre traz felicidade para nós mesmos e para aquele que amamos. Se nosso amor não traz alegria para nós dois, não é amor verdadeiro. Comentadores explicam que a felicidade relaciona-se duplamente a corpo e mente, enquanto alegria relaciona-se primeiramente à mente.
Esse exemplo é frequentemente dado: alguém está viajando pelo deserto e vê um córrego com água fresca e experimenta a alegria. Ao beber a água, ele experimenta a felicidade. Ditthadhamma sukhaviari significa “alegremente habitar no momento presente.” Nós não nos apressamos para o futuro; nós sabemos que tudo está aqui no momento presente.
Muitas pequenas coisas podem nos trazer tremenda alegria, como a consciência de que temos os olhos em boa condição. Nós abrimos nossos olhos e podemos ver o céu azul, as flores violetas, as crianças, as árvores, e muitos outros tipos de formas e cores. Habitando em atenção plena, nós podemos tocar estas maravilhosas e refrescantes coisas, e nossa mente de alegria emerge naturalmente. Alegria contém felicidade e felicidade contém alegria.
Equanimidade (Upeksha)
 
O quarto elemento do amor verdadeiro é upeksha, que significa equanimidade, tranquilidade, desapego e capacidade de libertar. Upa significa “acima”, e iksha significa “olhar”. Se seu amor tem apego, distinção, preconceito ou apego, não e amor verdadeiro.
Pessoas que não entendem o Budismo às vezes pensam que upeksha significa indiferença, mas a verdadeira equanimidade não é fria nem indiferente.
Upeksha tem a marca chamada samatajñana, “a sabedoria da igualdade”, a habilidade de ver todos como iguais, sem discriminação entre nós e os outros. Em um conflito, mesmo que estejamos profundamente preocupados, nós nos mantemos imparciais, habilitados a amar e entender ambos os lados. Livramo-nos de toda discriminação e preconceito, e removemos todas as fronteiras entre nós mesmos e os outros.
Enquanto vermos nós mesmos como aqueles que amam e os outros como os que são amados, enquanto nos valorarmos mais do que os outros ou vermos nós mesmos como diferentes dos outros, nós não alcançaremos a verdadeira equanimidade.  Nós temos que nos colocar “por debaixo da pele da outra pessoa” e nos tornarmos um com ela se desejarmos entender e realmente a amar.  Quando isto acontece, não há self nem tampouco outro.
 
Sem upeksha, seu amor pode tornar-se possessivo. Uma brisa de verão pode ser muito refrescante, mas se tentarmos colocá-la numa lata para que possamos tê-la inteiramente para nós, a brisa morrerá. Nosso amado é o mesmo. Ele é como uma nuvem, uma brisa, uma flor. Se você o aprisiona numa lata, ele morrerá. Ainda assim, muitas pessoas fazem exatamente isso. Eles roubam seus amados de sua liberdade, até que ele não possa mais ser ele mesmo. Eles vivem para a auto-satisfação e usam os seus amados para ajudar a cumprir este desejo. Isto não é amor, é destruição.
Você diz que o ama, mas não entende suas aspirações, suas necessidades, suas dificuldades, ele está numa prisão chamada amor. Amor verdadeiro permite que você preserve sua liberdade e a liberdade de seu amado. Isto é upeksha.
Para o amor ser amor verdadeiro, deve conter compaixão, alegria e equanimidade. Para a compaixão ser compaixão verdadeira, deve conter amor, alegria e equanimidade. Alegria verdadeira deve conter amor, compaixão e equanimidade. E equanimidade verdadeira deve ter amor, compaixão e alegria.
Nós devemos olhar profundamente e praticar estas quatro aspectos para trazermos o amor verdadeiro em nossas vidas e nas vidas e quem amamos.
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