Revisão de Os elementos do Amor Genuíno. – Thich Nhat Nanh

Decidi fazer uma revisão de Os elementos do Amor Genuíno. – Thich Nhat Nanh, para o corrigir melhor para o português de Portugal. E resolvi voltar a posta-lo aqui no meu blog.


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Na tradição budista nós falamos de amor. Em termos de amor genuíno em termos de bondade amorosa, compaixão, alegria, e equanimidade… ou a não-discriminação e a inclusividade.
Para entender realmente a compaixão, tu precisas também entender os outros três elementos do amor genuíno.
primeiro elemento do amor genuíno é a bondade amorosa.
Ela tem o poder de oferecer felicidade se o amor não é capaz de oferecer felicidade, então não é amor genuíno.
O teu amor genuíno deve oferecer felicidade a ti.
E a ele, e a ela, felicidade.
Não se trata da disposição de oferecer felicidade. Pois se tu não entendes a outra pessoa, quanto mais tu tentares faze-la feliz, mais vais fazê-la sofrer.
Tu precisas de o entender, entende-la… os seus sofrimentos e necessidades antes de tu poderes praticar a bondade amorosa.
Na Ásia há uma fruta chamada Durian, muitas pessoas adoram-na. Mas para mim, eu não posso comê-la. Então tu dizes: “querido Thay, tu deverias comer um pouco de durian”, então tu fazes-me sofrer, por me amar. (Durian é uma fruta que parece uma jaca, mas tem um cheiro muito forte, chega a ser proibidos em hotéis, metros, aeroportos do Sudeste Asiático) Então nós devemos entender a outra pessoa para podermos de verdade fazê-la feliz.
E é por isso que ‘entender’ é outra palavra para amor, para compaixão.
E é por isso que devemos perguntar para os nossos parceiros “Querida, tu achas que eu te entendo o bastante?” “Se eu não te entendo o bastante, por favor, ajude-me!”
A minha esposa está logo ali. Então… a bondade amorosa não é só a vontade de fazer uma pessoa feliz, mas a capacidade de fazer ele ou ela feliz.
E isso requer entendimento. E o entendimento requer tempo para olhar profundamente. E o segundo elemento é a compaixão, que é ‘karuṇā’.
A grande compaixão é chamada de ‘mahākaruṇā’. A compaixão tem o poder de remover a dor e o sofrimento.
Se o teu amor não faz a outra pessoa sofrer menos, então ele não é o amor genuíno. Tu tens de entender o sofrimento dele, o desespero dela, para poder ajudá-lo ou ajudá-la a sofrer menos.
E é por isso que tu precisas ter o tempo pra olhar e para ouvir, e a compreensão vai criar o amor e a felicidade. E a prática é que tu tens que aplicar isso contigo mesmo. Tu tens que estar apto a te oferecer felicidade, e compaixão. Temos compaixão suficiente… com nosso próprio corpo? Com nosso sentimento? Sabemos como lidar com nosso corpo para fazê-lo sofrer menos? Sabemos como lidar com os nossos sentimentos para acalmar as nossas emoções? Isso é amor próprio.
A capacidade de amar outra pessoa… depende inteiramente da capacidade de amarmos a nós mesmos, e de ter cuidado com nós mesmos. Isto é verdade com a compaixão. E o terceiro é a alegria. ‘Mudita’. Se te amar faz a outra pessoa chorar todos os dias, isso não é o amor genuíno.
Então tu crias a alegria. Para contigo mesmo e para a outra pessoa.
E há muitas maneiras práticas para criar alegria, sem ter que ir ao mercado e comprar alguma coisa, para dar para ele ou para ela. Então tu respiras conscientemente, trazendo a tua mente para o teu corpo, tu sentes-te revigorado e agradável e tu vais até a pessoa e dizes “Querida, sabes uma coisa? Eu estou aqui para ti.”
Como tu podes amar se tu não estás presente? Amar significar estar presente. Estar presente pela pessoa que tu ama. Se tu estás tão ocupado no teu trabalho e tão ocupado a ganhar dinheiro, tu não tens tempo para ti mesmo e para a tua pessoa amada. E é por isso que é preciso respirar consciente, caminhar consciente, para trazer a tua mente para teu corpo, e para se sentires relaxado, revigorado e amável, e para pronunciares o mantra “Querida, eu estou aqui pra ti.” E isto é trazer a alegria para ti e para a outra pessoa. E quando tu estás está realmente presente, e ofereces a tua presença para a ele ou pra ela, tu tens a oportunidade de reconhecer… a presença da outra pessoa como algo muito precioso pra ti. E é aí que tu pode repetir o segundo mantra: “Querida(o), eu sei que tu está aí, e eu estou tão feliz.”
Ser amado significa ser reconhecido como um ser existente.
E tu estas a dirigir seu carro a pensar em inúmeras coisas, exceto na pessoa que está sentada bem ao teu lado, ela não pode estar feliz de maneira nenhuma. Então, enquanto estiver a dirigir… use a tua plena consciência e diz: “Querida, sabes de uma coisa? Eu sei que tu está aí… bem ao meu lado, e eu estou muito feliz!”
São práticas simples, como essa prática de plena consciência que podem trazer a alegria. E, se ele está no escritório… tu podes praticar o mantra através do telefone, ou mandar um e-mail para ele a dizer: “Querido, eu sei que tu está aí, e eu estou muito feliz.” E é por isso que criar a alegria faz parte do amor genuíno.
E o quarto elemento, a inclusividade. Nós não podemos entender a compaixão, profundamente, sem entender o quarto elemento do amor genuíno. No amor genuíno não há mais discriminação entre o que ama e o que é amado. Tu não podes dizer “Querida, isso é um problema teu.” No amor genuíno o meu problema é o teu problema. A minha felicidade é a tua felicidade. O meu sofrimento é o teu sofrimento. Não há mais fronteiras. Inclusividade. No amor genuíno a felicidade e o sofrimento não são mais questões individuais E se tu continuares a amar dessa maneira, tu começas a incluir todos nós no teu amor genuíno. Os quatro elementos do amor genuíno também são chamados de as quatro mentes ilimitadas. Eles nunca serão excessivos. Tu começas com uma pessoa, e então se tu seguir o caminho do verdadeiro amor, o teu coração vai abrir, abrir, e abrir, até que tu inclusa todos nós nele. E isso é o amor genuíno, é o tipo de amor que pode engrandecer o teu coração sem nunca parar.
Um dia o Buda estava a segurar uma tigela de água com a sua mão esquerda e com a mão direita um punhado de sal. Ele despejou o sal na água e misturou. Então ele perguntou aos monges: “Meus queridos amigos… vocês acham que podem beber essa água? Está tão salgada.” Mas se tu despejares essa quantidade de água num grande rio, não vai fazer a água do rio ficar salgada de forma alguma, e milhares de pessoas vão continuar a beber a água do rio. O mesmo acontece com alguém com um grande coração, um coração bom e cheio de compaixão, ele não sofre mais. As coisas que fazem as outras pessoas sofrem não o fazem sofrer. É como um punhado de sal, que pode salgar uma tigela de água, mas que não é capaz de fazer o grande rio salgado, de maneira alguma.” Então, os quatro ‘brahmavihārā’, os quatro elementos do amor genuíno são ilimitados. Porque amar dessa maneira vai fazer com que um dia tu incluas todos os seres em seu coração. Tu não não amas somente humanos, mas animais, plantas e minerais. Os minerais também estão vivos e os minerais também podem sofrer. E esse é o amor que é recomendado pelo Buda. O amor sem fronteiras, sem discriminação E o quarto elemento do amor genuíno é a inclusividade Sem discriminação, de qualquer forma. Preto ou branco, norte ou sul, rico ou pobre, todos estão ao alcance do teu amor. E quando tu tens esse tipo de amor tu não vais sofrer mais. E tu está numa situação de ajudar muitas pessoas. E é por isso que todos nós que queremos ser úteis para a sociedade, devemos cultivar o amor genuíno. Com o amor genuíno nós somos nutridos, somos fortes o bastante. E se soubermos como construir uma comunidade de amor, uma comunidade de amor e de compaixão, então teremos o poder suficiente para fazer as mudanças na nossa sociedade.

Thich Nhat Nanh

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